Nos fundos da PAC 2014/2020 os agricultores portugueses já obtiveram 28.744 milhões de euros.
Mas, de todo esse dinheiro, apenas 101 milhões de euros foram para restabelecimento de áreas afectadas pelos incêndios, pragas e doenças na floresta e 56 milhões de euros na prevenção contra os riscos de incêndios, pragas e doenças na floresta.
Como vemos os fogos não são mesmo uma prioridade em Portugal
Propostas concretas de um conjunto de especialistas nas várias vertentes do problema.
O que respondem (governo e parlamento) a isto?
É que já é mesmo altura de se acabar com esquemas, e suspeitas, e encontrar soluções mesmo eficazes.
Há uns dias na Visão vinha este artigo que é fundamental as pessoas lerem.
"E que tal aprender com os japoneses?"
São sábios quase todos os provérbios portugueses. "Quem tudo quer tudo perde!" é disso um bom exemplo, pois mostra que a ambição desmedida não é caminho a seguir. Podemos, e devemos, querer chegar o mais longe possível, nas várias vertentes da nossa vida, mas sempre com regras! E uma delas terá que ser "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!".
domingo, 16 de julho de 2017
"Quando a cólera ameaça matar mais do que a guerra"
Li um excelente artigo no Expresso desta semana, das jornalistas Cristina Pombo e Sofia Miguel Rosa, com o mesmo título que dei a este meu post e, cuja leitura, nos deve deixar todos a pensar.
O subtítulo da notícia "Megaepidemia no "corno de África" pior do que as guerras locais"é ainda mais assustador.
Vejam-se com atenção os dados referentes ao número de casos, no período de 27 de Abril a 11 de Junho de 2017, no Iémen e na Somália .
Outro quadro mostra bem como, em quatro países (Iémen, Somália, Etiópia e Quénia) a realidade ultrapassa, em muito, uma crise alimentar tendo se transformado numa monumental crise humanitária.
E perante isto o que faz o Ocidente?
Vende armas e suporta senhores da guerra corruptos para que as multi nacionais continuem a pilhar os recursos naturais.
São os humanos no seu pior!
O subtítulo da notícia "Megaepidemia no "corno de África" pior do que as guerras locais"é ainda mais assustador.
Vejam-se com atenção os dados referentes ao número de casos, no período de 27 de Abril a 11 de Junho de 2017, no Iémen e na Somália .
Outro quadro mostra bem como, em quatro países (Iémen, Somália, Etiópia e Quénia) a realidade ultrapassa, em muito, uma crise alimentar tendo se transformado numa monumental crise humanitária.
E perante isto o que faz o Ocidente?
Vende armas e suporta senhores da guerra corruptos para que as multi nacionais continuem a pilhar os recursos naturais.
São os humanos no seu pior!
terça-feira, 30 de maio de 2017
Conferência “Como a desigualdade social ajudou Trump”
Vi este texto no jornal "O bancário" (nº 187 Maio 2017) e, como achei que tinha uma análise muito acessível, mas abrangente, dos motivos que levaram à ascensão do populismo pelo mundo, decidi transcrevê-la.
Robert Reich
(professor universitário, foi ministro do Emprego de Bill
Clinton)
Trump,
produto da desigualdade
Resumir a ascensão de Donald Trump ao poder tendo
como base o seu populismo e personalidade é uma visão simplista. Quem o afirma
é Robert Reich, que deu uma conferência em Lisboa sobre desigualdade social e a
sua contribuição para a eleição do novo presidente norte-americano.
A conferência “Como a desigualdade nos Estados
Unidos criou Trump: um aviso à Europa” teve lugar no ISCTE-IUL no dia 11 de
maio, numa organização conjunta entre o Partido Socialista e a Fundação Res
Publica.
Robert Reich, antigo ministro do Emprego na
presidência de Bill Clinton e professor de Políticas Públicas na Universidade
de Berkeley, explicou como a desigualdade nos Estados Unidos da América (EUA)
ajudou a colocar Donald Trump na cadeira mais poderosa do mundo.
Início
Robert Reich recuou até ao final dos anos 70 para
explicar a sua teoria. “Entre o fim da II Guerra Mundial e o final dos anos 70,
os gráficos da produtividade, do crescimento económico e dos salários subiram
de forma igual. O mercado laboral caminhava em direção à igualdade.
Depois de 78, o salário médio começou a estagnar e
no caso dos homens no fundo da tabela, especialmente aqueles sem curso
universitário, começou mesmo a descer.”
Economia
e política
“O chamado mercado livre não existe”. Robert Reich
rapidamente explicou que, em seu entendimento, economia e política andam de
braço dado.
“Os mercados dependem de regras. Não podem existir
mercados sem regras que governem propriedade, contrato, responsabilidade,
bancarrota e monopólio.
Não é só o conhecimento das regras que é importante,
mas também quem influencia a sua criação.
É aqui que entra a política”.
Expansão
No final dos anos 70, circulava a tese de que a
globalização e a mudança tecnológica começaram a ter efeitos no mercado
laboral, uma vez que a maior parte da tecnologia usada na II Guerra Mundial e
nas guerras da Coreia e Vietname começou a surgir nos setores comerciais da
economia, permitindo uma fragmentação do processo de produção para locais onde
o custo era mais barato.
“Isso teve um efeito muito grande nos trabalhadores
industriais”, disse Reich.
O professor universitário recordou que, nessa
altura, o neoliberalismo tornou-se dominante,
Capitalismo
Os corporate raiders são assim uma das chaves do
problema, tendo convencido os CEO das grandes empresas que a sua única
obrigação era maximizar o lucro.
“Antes, os CEO acreditavam ter responsabilidades não
só para com os accionistas mas também para com as suas comunidades e
trabalhadores.
Depois dos corporate raiders, já não era o
capitalismo das partes interessadas, era o capitalismo dos acionistas”, afirmou
Robert Reich.
O
ataque aos sindicatos
Robert Reich não esqueceu o ataque aos sindicatos em
nome de uma maior eficiência do sistema.
“Em 1955, um terço dos trabalhadores
norte-americanos do setor privado eram sindicalizados. Hoje são menos do que
7%.
Os apologistas do neoliberalismo disseram que
estavam a criar um sistema mais eficiente.
O que não estavam a prestar atenção era aos efeitos
distributivos, o que aconteceu aos trabalhadores e às comunidades”.
Camuflagem
Robert Reich explicou que os norte-americanos não
sabiam que os salários estavam a descer, muito por culpa dos mecanismos de
camuflagem.
“No final dos anos 70 houve um grande aumento de
mulheres no mercado laboral remunerado. Gostamos de dizer que foi devido às
maravilhosas novas oportunidades.
Não foi, entraram de maneira a manterem o rendimento
da família à medida que o salário dos homens começou a cair”.
O segundo mecanismo diz respeito ao número de horas
de trabalho. “Toda a gente estava a trabalhar mais horas, não só os homens como
as mulheres.
Muito mais que a média europeia e que a notável
indústria japonesa.
Muitas famílias trabalhavam por turnos.
As mulheres faziam um turno com as crianças e os
homens faziam outro”
No final dos anos 90 aparece o terceiro mecanismo.
“À medida que os preços das casas subiam e dois
terços dos americanos eram donos das suas casas, podiam refinanciar-se e fazer
novas hipotecas.
Portanto, a casa tornou-se num mealheiro, o que deu
às famílias dinheiro adicional. Assim ninguém falava de salários estagnados.
O que terminou com este mecanismo foi a crise
financeira de 2008 e o rebentar da bolha imobiliária”, explicou.
Desigualdade
Com
salários estagnados ou a descer para onde foi o dinheiro? Robert Reich não tem
dúvidas. “Para o topo.
Muita gente acusa-me de ser um lutador de classes
(class warrior).
Sou antes um preocupado com as classes (class
worrier).
Preocupo-me com as consequências de uma economia e
de uma sociedade onde os ganhos do crescimento económico vão para o topo.
Sem poder de compra não há recuperação vigorosa”.
Outra causa de preocupação é a impossibilidade de a
camada mais pobre ascender à classe média.
“À medida que a classe média encolhe mais pessoas
ficam presas na pobreza.
As pessoas da classe média ficam menos generosas
para com as pessoas que estão pior, principalmente as de cor diferente”.
A terceira causa de preocupação diz respeito ao
poder político.
“À medida que mais rendimento vai para o topo também
vai o poder político.
As regras têm de ser decididas por alguém e se há
mais poder político no topo então as regras vão ser cada vez mais decididas
pelas pessoas no topo, pelas grandes empresas e por Wall Street.
E à medida que essas regras são decididas vão
gerando mais benefícios para eles. É um ciclo vicioso”.
Consequências
A crise de 2008 trouxe a maior recessão nos EUA
desde a Grande Depressão, com muitos americanos a perderem emprego, casa e
poupanças.
O sistema financeiro e os bancos foram resgatados,
com consequência para os pagadores de impostos enquanto os responsáveis não
foram acusados.
“Nesses anos pós-2008 houve um grito de indignação
tanto da direita como da esquerda política.
À direita, o movimento conservador, furioso com o
governo por, basicamente, resgatar.
À esquerda, o movimento dos ocupados, furioso com os
bancos.
Estes movimentos foram os precursores das alas
populistas.
O descendente direto do movimento dos ocupados foi
Bernie Sanders; o do movimento dos conservadores foi Donald Trump”, explicou
Robert Reich.
Populismo
Quando viajou pelos EUA para apresentar o seu livro,
Robert Reich notou que muitas pessoas estavam indecisas entre Bernie Sanders e
Donald Trump.
“Fiquei surpreendido porque são muito diferentes.
Mas as pessoas diziam-me que o jogo estava
manipulado contra elas.
Queriam alguém que fosse a sua voz, que se impusesse
por elas.
Estas são palavras que estão no centro do populismo.
O que sabiam é que havia duas pessoas a concorrer à
presidência que partilhavam a mesma indignação delas contra o Governo.
E isto dois anos antes das eleições, quando a maior
parte dos comentadores estava convencida que os candidatos finais seriam Jeb Bush
e Hillary Clinton”.
Reich identificou então os dois tipos de populismo:
o de direita, que usa a raiva e a canaliza para bodes expiatórios, como
emigrantes, minorias, muçulmanos, entre outros; e o de esquerda, que quer
retirar a raiva e canalizá-la para reformas políticas fundamentais.
O
erro de Hillary
“O baralho está cortado a favor de quem está no
topo”.
A frase pertence a Hillary Clinton, no início da sua
campanha. “Essa é uma mensagem populista”, diz Robert Reich. “Ela não fez uma
campanha populista, porque entrou com uma frase populista?
Foi aconselhada a começar a campanha assim porque
aperceberam-se do mesmo que eu quando falei com as pessoas.
O problema é que Hillary não consegue disfarçar-se
de populista, toda a gente sabe que ela fazia parte do Estado.
Donald Trump era um homem de negócios de sucesso e
fingiu ser um populista”, explicou.
O
exemplo de Portugal
Para Robert Reich, na maior parte da Europa o
problema passa pela insegurança económica e pela austeridade.
“O assunto para uma nação não é só a dívida pública.
Se a economia crescer esse ratio melhora, mas se
estão mergulhados em austeridade então o Governo não consegue estimular a
economia para assegurar o crescimento.
Não haverá crescimento económico enquanto não
tiverem uma economia que trabalhe para as pessoas, onde a maior parte tenha
emprego e esperança”.
Segundo Reich, é necessária uma alternativa, vendo
Portugal como um exemplo.
“A Europa e os EUA estão atentos ao que se passa em
Portugal no que diz respeito ao futuro”, concluiu.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Esta é uma das realidades onde dá jeito juntar vários artigos, muito elucidativos vindos no Expresso, pois assim é mais perceptível o aterrador estado que os banqueiros nos deixaram enquanto se enchiam à grande e à francesa e sempre com a ajuda dos "grandes" empresários e políticos muito "sérios e independentes" da nossa praça.
1. IMPARIDADES
Os bancos portugueses registaram milhares de milhões de euros de imparidades desde 2008. Segundo dados do Banco de Portugal foram quase 40 mil milhões no total.
2. RESULTADOS
A partir de 2011, ano da intervenção externa em Portugal, os bancos entraram num período de fortes prejuízos.
3. CONTRIBUTO PARA O CRÉDITO
A maior parte do crédito a sociedades não financeiras (SNF) que estavam em incumprimento no final de 2012 tinha sido concedido entre 2005 e 2009.
4. AUMENTO DE CAPITAL
Os bancos aumentaram os seus capitais em mais de 14 mil milhões de euros desde 2008. Além disso, pediram ao Estado 6,5 mil milhões, a que somaram já em dezembro mais de dois mil milhões de custo público para o Banif.
5. RESULTADOS LÍQUIDOS E DIVIDENDOS
Os fortes lucros da banca até 2007 refrearam, depois, até 2010. Nestes anos, a proporção de lucros distribuída como dividendos foi superior a um terço. Depois de 2011, os bancos acumularam 7,37 mil milhões de prejuízos. Mesmo assim, houve 253 milhões de dividendos pagos. (Nota: os dividendos distribuídos incluem resultados gerados por créditos que no futuro poderão requerer a constituição de imparidades).
As perdas nos bancos em cinco passos
Oito anos de escândalos financeiros
O diabo que nos impariu
Viu-se a solidez!
Será que com este historial de omissões de actuação, e miopias perante os factos, alguém acha que o governador é garante de rigor e independência?
1. IMPARIDADES
Os bancos portugueses registaram milhares de milhões de euros de imparidades desde 2008. Segundo dados do Banco de Portugal foram quase 40 mil milhões no total.
2. RESULTADOS
A partir de 2011, ano da intervenção externa em Portugal, os bancos entraram num período de fortes prejuízos.
3. CONTRIBUTO PARA O CRÉDITO
A maior parte do crédito a sociedades não financeiras (SNF) que estavam em incumprimento no final de 2012 tinha sido concedido entre 2005 e 2009.
4. AUMENTO DE CAPITAL
Os bancos aumentaram os seus capitais em mais de 14 mil milhões de euros desde 2008. Além disso, pediram ao Estado 6,5 mil milhões, a que somaram já em dezembro mais de dois mil milhões de custo público para o Banif.
5. RESULTADOS LÍQUIDOS E DIVIDENDOS
Os fortes lucros da banca até 2007 refrearam, depois, até 2010. Nestes anos, a proporção de lucros distribuída como dividendos foi superior a um terço. Depois de 2011, os bancos acumularam 7,37 mil milhões de prejuízos. Mesmo assim, houve 253 milhões de dividendos pagos. (Nota: os dividendos distribuídos incluem resultados gerados por créditos que no futuro poderão requerer a constituição de imparidades).
As perdas nos bancos em cinco passos
Oito anos de escândalos financeiros
O diabo que nos impariu
Quando todo o país pensa que o culpado do colapso foi o "Espírito Santo" vem o Sr. prof, dr, eng, Carlos Costa mostrar-nos que afinal a coisa não tem nada de divina pois, segundo a sua douta sabedoria, “Não foi senão mão humana que fez com que o BES, de um momento para o outro e surpreendendo todos (incluindo quadros do banco), apresentasse uma perda de uma dimensão que jamais poderíamos antecipar”.
Claro que para tão ilustre figura o facto de nos media só se acenderem luzes vermelhas a propósito da realidade do BES como por exemplo está do Expresso em 21/05/2014 .
É que, segundo o senhor governador, tudo isto é muito complexo e até ele, que é um especialista na matéria (apesar de avisado 1 ano antes por um relatório exaustivo do BPI que demonstrava que o BES estava falido já em 2011) só se convenceu da bronca pouco tempo antes do colapso do banco e isso é verdade pois um mês antes da bronca andava, em conjunto com o outro especialista do tema, que nunca tem dúvidas e raramente se engana, a vender o aumento de capital do BES pois ele era muito sólido.
Claro que para tão ilustre figura o facto de nos media só se acenderem luzes vermelhas a propósito da realidade do BES como por exemplo está do Expresso em 21/05/2014 .
É que, segundo o senhor governador, tudo isto é muito complexo e até ele, que é um especialista na matéria (apesar de avisado 1 ano antes por um relatório exaustivo do BPI que demonstrava que o BES estava falido já em 2011) só se convenceu da bronca pouco tempo antes do colapso do banco e isso é verdade pois um mês antes da bronca andava, em conjunto com o outro especialista do tema, que nunca tem dúvidas e raramente se engana, a vender o aumento de capital do BES pois ele era muito sólido.
Viu-se a solidez!
Será que com este historial de omissões de actuação, e miopias perante os factos, alguém acha que o governador é garante de rigor e independência?
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Festival Política - Grande iniciativa!
Começa assim o artigo do Público
"se tivesse cinco minutos cara a cara com um deputado, o que diria?"
"Europa, perseguições a gays na Tchechénia, direitos dos emigrantes. Os cidadãos quiseram conversar com os deputados sobre tudo e sem formalismos. Tu cá, tu lá."
Vale mesmo a pena ler a partir do link.
Mas também merece ser lido outro artigo do mesmo jornal onde se fala de
" O vídeo português contra a abstenção tornou-se viral em França"
"Um vídeo produzido para o Festival Política, realizado em Lisboa, tornou-se numa arma política em França e conta já com um milhão de visualizações."
Certamente este vídeo ajudará indecisos e esclarecerá enganados.
Mas esta mensagem não é só valida para França e para a xenofobia e o racismo.
De cada vez que nos abstemos de votar, de participar ou de criticar publicamente o compadrio e a corrupção estamos a dar força aos bandidos.
Esta é, sem dúvida, a grande mensagem deste vídeo.
Quem quer viver em democracia tem o dever de o divulgar!
Veja o vídeo
"se tivesse cinco minutos cara a cara com um deputado, o que diria?"
"Europa, perseguições a gays na Tchechénia, direitos dos emigrantes. Os cidadãos quiseram conversar com os deputados sobre tudo e sem formalismos. Tu cá, tu lá."
Vale mesmo a pena ler a partir do link.
Mas também merece ser lido outro artigo do mesmo jornal onde se fala de
" O vídeo português contra a abstenção tornou-se viral em França"
"Um vídeo produzido para o Festival Política, realizado em Lisboa, tornou-se numa arma política em França e conta já com um milhão de visualizações."
Certamente este vídeo ajudará indecisos e esclarecerá enganados.
Mas esta mensagem não é só valida para França e para a xenofobia e o racismo.
De cada vez que nos abstemos de votar, de participar ou de criticar publicamente o compadrio e a corrupção estamos a dar força aos bandidos.
Esta é, sem dúvida, a grande mensagem deste vídeo.
Quem quer viver em democracia tem o dever de o divulgar!
Veja o vídeo
terça-feira, 25 de abril de 2017
Leia, pense e... depois vote em consciência!
Agora que se aproximam as
eleições autárquicas (mas ainda estamos longe do ruído, que as campanhas produzem, e que
fazem com que ninguém ouça nada) a T.I.A.C. - Transparência e Integridade
Associação Cívica - tem um excelente conjunto de relatórios
referentes à evolução dos índices de transparência municipal entre 2013 e 2016.
Eles serão certamente um grande
auxiliar para os eleitores que queiram ver nos seus concelhos:
- O dinheiro dos seus impostos mais bem aplicado
- As compras serem efetuadas de um modo mais transparente
- Uma drástica redução do compadrio e da corrupção
Estes são os aspectos (Dimensões) em que a actividade, de cada autarquia, é avaliada e pontuada com os correspondentes pesos para a sua avaliação final.
Dimensão A
Informação
sobre Organização, Composição Social e Funcionamento do Município (peso 15%)
Dimensão B
Planos e
Relatórios (peso 6%)
Dimensão C
Impostos,
Taxas, Tarifas, Preços e Regulamentos (peso 12%)
Dimensão D
Relação com a
Sociedade (peso 6%)
Dimensão E
Contratação Pública
(peso 21%)
Dimensão F
Transparência
Económico-Financeira (peso 15%)
Dimensão G
Transparência
na área do Urbanismo (peso 25%)
No quadro a seguir podemos analisar a evolução do I.T.M. (Índice de
transparência municipal) e do Ranking, das nossas capitais de distrito, entre
2013 e 2016.
Mas mais importante, do que olhar para as alterações no ranking, é
analisarmos se o I.T.M. aumentou, em relação ao ano anterior, porque, se isso não
aconteceu, então estamos perante um retrocesso na transparência dessa
autarquia.
Se olharmos, por exemplo, para Beja,
Bragança, Castelo Branco, Funchal, Leiria, Lisboa, Ponta Delgada, Portalegre,
Porto, Santarém, Viana do Castelo ou Vila Real verificamos que caíram no rating
mas melhoraram os seus I.T.M., ou seja, apesar de terem melhorado os seus
níveis de transparência, estas cidades foram ultrapassadas por outras que
evoluíram mais do que elas.
Infelizmente já não poderemos
dizer o mesmo em relação a Aveiro, Braga, Coimbra e Setúbal onde o rating, e o
I.T.M., de 2016 foram os piores que tiveram nos quatro anos.
Este é o link para todos os que queiram validar estes dados, para o seu
concelho ou aprofundar a análise aqui apresentada.
Talvez assim as pessoas se apercebam como a vida, nos sítios onde vivem, poderia ser melhor se tivessem atentos à maneira como os políticos gastam o nosso dinheiro.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Portugal é um covil de ladrões!
Depois de ter visto ontem à noite na SIC Notícias o programa "Grande Reportagem" sobre o Banif
Parte 1; Parte 2 e Parte 3 e hoje ter lido este artigo só me vem à cabeça uma pergunta.
Será que ninguém mete estes bandidos na cadeia?
https://jornalalerta.wordpress.com/2016/07/21/rombo-de-monteiro-atinge-1-200-milhoes-de-euros-na-ultima-semana/
Com a decisão do Tribunal Arbitral, que condenou o Estado a pagar 150 Milhões ao seu ex-consórcio, o rombo nas contas do Estado atinge um record de 1.200 Milhões de Euros, de acordo com os factos apurados na última semana. E ainda a procissão vai no adro…
O Público noticia hoje (21 de Julho de 2016) que o Tribunal Arbitral condenou o Estado português a pagar 150 Milhões de Euros ao consórcio Elos, por causa da anulação do TGV.
E se até aqui seria o “business as usual” do ex-governo PaF, o problema é que o concorrente que venceu o concurso público, o consórcio ELOS, tinha justamente como Administrador Financeiro… Sérgio Monteiro. Portanto, concorreu, venceu e contratualizou e depois, como governante, na qualidade de Secretário das Obras do Governo Passos/Portas, Monteiro anulou o concurso, obrigando agora o Estado a premiar o seu ex-consórcio com 150 Milhões de Euros.
A este valor acrescem mais 150 Milhões de Euros que o Estado, através da Parpública, ficou com o encargo de um SWAP muito mal explicado. Na verdade, o Estado, por ordem da então Ministra Maria Luís Albuquerque e tendo como Secretário das Obras, Sérgio Monteiro, resgatou o financiamento do consórcio privado ELOS, num total de 600 Milhões de Euros, tendo ficado também com os prejuízos do famoso SWAP.
Ainda esta semana, Monteiro fora apanhado noutra teia muita complexa. As tão propagandeadas renegociações das parcerias rodoviárias trouxeram um novo brinde para o privado. Com o argumento que a renegociação do contrato da A23 representaria uma poupança de 588 Milhões de Euros de encargos, foi feito mais um negócio ruinoso. E muito ruinoso!
Acontece que escondidas de rabo de fora estavam as receitas. Ou seja, enquanto anunciava uma quebra de 588 Milhões de Euros de encargos, o anterior governo escondia que entregou a receita de portagem ao privado com uma perda para o estado de 462 Milhões, de acordo com o Jornal de Notícias. As famosas “poupanças” nas renegociações das PPP feitas por Passos Coelho transformaram-se afinal em centenas de milhões de Euros de ganho para os privados e perca para o país.
No total das concessões, estima-se que as célebres renegociações tenham rendido ao privado, por via deste preciso expediente, o de anular alguns dos encargos, entregando-lhes as receitas, 462 Milhões de Euros.
O Alerta Jornal já tinha dado conta da investigação que o Ministério Público estará a realizar ao crédito mal parado da Caixa Geral de Depósitos. No caso concreto, a Concessão Douro Litoral, financiada por Sérgio Monteiro e que representa hoje uma exposição de 270 Milhões e um incumprimento de 180 Milhões, portanto, um buraco de 450 Milhões de Euros.
Em resumo, nas últimas semanas, é finalmente pública a parte dos estragos da responsabilidade do “negociador” do Novo Banco: 150 Milhões para o seu ex-consórcio (indemnização TGV), mais 150 Milhões da SWAP (TGV), mais 460 Milhões (renegociações), mais 450 (Douro Litoral). Sérgio Monteiro, concedendo, financiando, contratualizando, gerindo e depois renegociando e anulando os contratos, já custou ao erário público 1.200 Milhões de Euros.
Faltam agora os relatórios do Tribunal de Contas sobre a TAP e a ANA, para além do problema pendente de Cabo Verde que proíbe Sérgio Monteiro de contactar o arguido José Veiga, num processo muito escondido na Comunicação Social e que envolve Miguel Relvas.
Não despiciendo o facto do próprio Miguel Relvas ter nomeado Sérgio Monteiro como sucessor de Passos, em entrevista ao Expresso de Junho de 2015.
Com a sua soberba olímpica, Relvas rematou: “Tem feito um trabalho espetacular”.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Sobre o fraco desempenho macroeconómico da UE ou a estória de uma grande falácia
Muito se tem falado do desempenho medíocre da UE, e em particular da zona euro, mas será que faz sentido olhar para este espaço (que deveria ter políticas activas de coesão para os 28 estados) desse modo?
É que quando olhamos para os países que o compõem, e não para o conjunto da UE, verificamos uma realidade bem diferente no período de 2008 a 2014 (último ano de que a Pordata tem informação) em que sofremos, na pele, a explosão da crise do sector financeiro que depois se espalhou pela economia.
A estatística pode ter algumas perversidades, pois as médias são muito enganadoras, como se pode ver pela seguinte história.
"Num universo de duas pessoas, estatisticamente, o seu consumo per capita é de 1/2 frango, o que é bom, mas, a realidade, pode ser muito diferente da estatística pois uma delas pode comer o frango inteiro e a outra não comer nada, ou a primeira comer 3/4 do frango e a segunda apenas 1/4 e, apesar da desigualdade, a afirmação estatística continua intacta e"bonitinha"".
Infelizmente, para muitos milhões de europeus e até de alguns países, a sua realidade é a da parte mais perversa desta história.
Eis alguns dados retirados, quase todos, da Pordata que podem ajudar a ver bem como tudo é muito diferente do que se fala nos media.
Podemos constatar isso através da evolução do PIB onde, entre 2008 e 2014, a ZE19 - Zona Euro (19 Países) aumentou 6,01%, a UE28 - União Europeia (28 Países) aumentou 7,31% mas atenção que 4 países tiveram uma variação superior a 15% enquanto que 6 tiveram uma variação negativa no mesmo período. Os restantes 18 tiveram uma performance medíocre ou miserável.
Também na dívida pública a assimetria, entre estados, salta à vista pois, entre 2008 e 2014, na ZE19 - Zona Euro (19 Países) ela aumentou 34,5%
, na UE28 - União Europeia (28 Países) aumentou 42,3%.
Em todos os países da UE a dívida pública aumentou, variando entre os 7,02%
de Malta e os 274,07% da Eslovénia.
Em 11 países da UE o aumento da dívida foi superior a 100% e, em mais 6 o aumento foi entre 50 e 100%.
Dos 13 países, que aderiram à UE desde 2004, 8 têm variações de dívida superiores a 100%.
Países como, a Alemanha, Bélgica, Áustria, Holanda, Suécia e França (grandes motores da economia europeia e que teriam a obrigação de promover a coesão entre estados) tiveram aumentos de dívida pública inferiores a 50%.
Curiosamente nesta lista em apenas em 2 países (que não pertencem à UE mas que têm acordos comerciais com ela) a dívida se reduziu. São eles a Suiça com -15,98% e a Noruega com -43,36%.
No que diz respeito à evolução da taxa de desemprego, apenas em 3 países (Alemanha, Hungria e Malta) ela diminuiu sendo que na Alemanha a quebra foi de -33,3%.
Na ZE19 - Zona Euro (19 Países) a variação foi de 52,0% e na UE28 - União Europeia (28 Países) o aumento foi de 44,3%.
Existem 12 países (sendo 9 da zona Euro) onde a variação da taxa de desemprego foi superior a 50% e desses, 7 têm variações superiores a 100% (pertencendo 4 à zona euro).
É útil lembrarmo-nos de que "o procedimento relativo aos défices excessivos é regulado pelo artigo 126.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia e apoia a secção PEC corrector da UE."
E ele diz o seguinte:
"Os países da UE devem demonstrar que suas finanças são sólidos e atender a dois critérios:
A) os seus défices orçamentais não pode exceder 3% do produto interno bruto (PIB);
B) sua dívida pública (dívida de governo e órgãos públicos) não pode exceder 60% do seu PIB."
Para também se ter a noção da "coerência, uniformidade e rigor" de critérios, com que as instituições europeias tratam os países membros é útil olhar para o histórico (de 1995 a 2014) dos saldos anuais, das contas públicas, dos países membros e a sua conjugação com as dívidas públicas.
Assim, em 2014:
A Áustria, Alemanha, Hungria, Itália, Malta, Países Baixos e a média da Zona Euro (19 Países) tinham uma dívida pública > 60% do seu PIB embora os défices estivessem abaixo dos 3%.
A Bulgária, Finlândia e Polónia tinham os défices acima dos 3% e a própria
UE28 - União Europeia (28 Países) ficou na fronteira com 3% exactos.
Finalmente a Bélgica, Chipre, Espanha, França, Grécia, Croácia, Irlanda, Portugal, Eslovénia e Reino Unido não cumpriram nenhum dos critérios pois tinham divida pública > 60% do PIB e défice > 3%.
Quantos destes países estiveram sujeitos às multas por défice excessivo, e medidas adicionais, como foram os casos de Portugal e Grécia?
Objectivamente isto quer dizer que 91,49% do PIB da UE está com problemas de excesso de dívida, ou de défice e desses, 46,33% (do PIB da UE) têm problemas em ambos os sectores.
Finalmente chegamos às consequência sociais destas políticas, ou seja, o aumento da desigualdade na distribuição do rendimento (S80/S20) .
Dos 28 países, da UE, apenas em 9 (sendo 6 deles da zona euro), e que representam 46,05% do PIB da UE, o fosso entre os mais ricos, e os mais pobres, diminuiu.
Os 5 maiores PIB, da UE (Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido), onde estão 4 países da zona euro, representam 75,70% e 67,77% do PIB da zona euro e da UE respectivamente.
Em termos populacionais têm um peso de 50,2% e 62,9% da zona euro e da UE respectivamente.
% de variação, entre 2008 e 2014, destes itens nas 5 maiores economias da UE.
PIB Div. Púb. Tx. Desemp (S80/S20)
Alemanha 13,49% 15,2% -33,3% 6,3%
Espanha -3,87% 152,0% 115,9% 21,4%
França 9,92% 40,4% 29,7% -2,3%
Itália -0,57% 29,4% 89,6% 11,5%
Reino Unido 6,22% 110,9% 8,9% -8,9%
Neste quadro resumo podemos facilmente concluir que a Alemanha, sobretudo as suas elites financeiras, é quem mais tem lucrado com esta política pois, em época de crise, o seu PIB subiu razoavelmente, o desemprego desceu bastante, a dívida pública subiu alguma coisa e o fosso social também.
O mesmo já não se pode dizer dos restantes 4 países que têm todos, pelo menos, dois dos itens com grande degradação.
É que quando olhamos para os países que o compõem, e não para o conjunto da UE, verificamos uma realidade bem diferente no período de 2008 a 2014 (último ano de que a Pordata tem informação) em que sofremos, na pele, a explosão da crise do sector financeiro que depois se espalhou pela economia.
A estatística pode ter algumas perversidades, pois as médias são muito enganadoras, como se pode ver pela seguinte história.
"Num universo de duas pessoas, estatisticamente, o seu consumo per capita é de 1/2 frango, o que é bom, mas, a realidade, pode ser muito diferente da estatística pois uma delas pode comer o frango inteiro e a outra não comer nada, ou a primeira comer 3/4 do frango e a segunda apenas 1/4 e, apesar da desigualdade, a afirmação estatística continua intacta e"bonitinha"".
Infelizmente, para muitos milhões de europeus e até de alguns países, a sua realidade é a da parte mais perversa desta história.
Eis alguns dados retirados, quase todos, da Pordata que podem ajudar a ver bem como tudo é muito diferente do que se fala nos media.
Podemos constatar isso através da evolução do PIB onde, entre 2008 e 2014, a ZE19 - Zona Euro (19 Países) aumentou 6,01%, a UE28 - União Europeia (28 Países) aumentou 7,31% mas atenção que 4 países tiveram uma variação superior a 15% enquanto que 6 tiveram uma variação negativa no mesmo período. Os restantes 18 tiveram uma performance medíocre ou miserável.
Também na dívida pública a assimetria, entre estados, salta à vista pois, entre 2008 e 2014, na ZE19 - Zona Euro (19 Países) ela aumentou 34,5%
, na UE28 - União Europeia (28 Países) aumentou 42,3%.
Em todos os países da UE a dívida pública aumentou, variando entre os 7,02%
de Malta e os 274,07% da Eslovénia.
Em 11 países da UE o aumento da dívida foi superior a 100% e, em mais 6 o aumento foi entre 50 e 100%.
Dos 13 países, que aderiram à UE desde 2004, 8 têm variações de dívida superiores a 100%.
Países como, a Alemanha, Bélgica, Áustria, Holanda, Suécia e França (grandes motores da economia europeia e que teriam a obrigação de promover a coesão entre estados) tiveram aumentos de dívida pública inferiores a 50%.
Curiosamente nesta lista em apenas em 2 países (que não pertencem à UE mas que têm acordos comerciais com ela) a dívida se reduziu. São eles a Suiça com -15,98% e a Noruega com -43,36%.
No que diz respeito à evolução da taxa de desemprego, apenas em 3 países (Alemanha, Hungria e Malta) ela diminuiu sendo que na Alemanha a quebra foi de -33,3%.
Na ZE19 - Zona Euro (19 Países) a variação foi de 52,0% e na UE28 - União Europeia (28 Países) o aumento foi de 44,3%.
Existem 12 países (sendo 9 da zona Euro) onde a variação da taxa de desemprego foi superior a 50% e desses, 7 têm variações superiores a 100% (pertencendo 4 à zona euro).
É útil lembrarmo-nos de que "o procedimento relativo aos défices excessivos é regulado pelo artigo 126.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia e apoia a secção PEC corrector da UE."
E ele diz o seguinte:
"Os países da UE devem demonstrar que suas finanças são sólidos e atender a dois critérios:
A) os seus défices orçamentais não pode exceder 3% do produto interno bruto (PIB);
B) sua dívida pública (dívida de governo e órgãos públicos) não pode exceder 60% do seu PIB."
Para também se ter a noção da "coerência, uniformidade e rigor" de critérios, com que as instituições europeias tratam os países membros é útil olhar para o histórico (de 1995 a 2014) dos saldos anuais, das contas públicas, dos países membros e a sua conjugação com as dívidas públicas.
Assim, em 2014:
A Áustria, Alemanha, Hungria, Itália, Malta, Países Baixos e a média da Zona Euro (19 Países) tinham uma dívida pública > 60% do seu PIB embora os défices estivessem abaixo dos 3%.
A Bulgária, Finlândia e Polónia tinham os défices acima dos 3% e a própria
UE28 - União Europeia (28 Países) ficou na fronteira com 3% exactos.
Finalmente a Bélgica, Chipre, Espanha, França, Grécia, Croácia, Irlanda, Portugal, Eslovénia e Reino Unido não cumpriram nenhum dos critérios pois tinham divida pública > 60% do PIB e défice > 3%.
Quantos destes países estiveram sujeitos às multas por défice excessivo, e medidas adicionais, como foram os casos de Portugal e Grécia?
Objectivamente isto quer dizer que 91,49% do PIB da UE está com problemas de excesso de dívida, ou de défice e desses, 46,33% (do PIB da UE) têm problemas em ambos os sectores.
Finalmente chegamos às consequência sociais destas políticas, ou seja, o aumento da desigualdade na distribuição do rendimento (S80/S20) .
Dos 28 países, da UE, apenas em 9 (sendo 6 deles da zona euro), e que representam 46,05% do PIB da UE, o fosso entre os mais ricos, e os mais pobres, diminuiu.
Os 5 maiores PIB, da UE (Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido), onde estão 4 países da zona euro, representam 75,70% e 67,77% do PIB da zona euro e da UE respectivamente.
Em termos populacionais têm um peso de 50,2% e 62,9% da zona euro e da UE respectivamente.
% de variação, entre 2008 e 2014, destes itens nas 5 maiores economias da UE.
PIB Div. Púb. Tx. Desemp (S80/S20)
Alemanha 13,49% 15,2% -33,3% 6,3%
Espanha -3,87% 152,0% 115,9% 21,4%
França 9,92% 40,4% 29,7% -2,3%
Itália -0,57% 29,4% 89,6% 11,5%
Reino Unido 6,22% 110,9% 8,9% -8,9%
Neste quadro resumo podemos facilmente concluir que a Alemanha, sobretudo as suas elites financeiras, é quem mais tem lucrado com esta política pois, em época de crise, o seu PIB subiu razoavelmente, o desemprego desceu bastante, a dívida pública subiu alguma coisa e o fosso social também.
O mesmo já não se pode dizer dos restantes 4 países que têm todos, pelo menos, dois dos itens com grande degradação.
É a parte negra da rábula a chegar à Europa, onde há cada vez mais gente sem comer mas as estatísticas, vistas pela rama, não estão com muito mau aspecto.
Vamos ver até quando...
sábado, 23 de abril de 2016
Estamos mesmo entregues aos bichos!
Vem na Revista Visão que "Maria Luís Albuquerque e Fernando Medina convidados para Bilderberg"
Também não deixa de ser elucidativa a lista, de participantes portugueses, nos eventos anteriores.
É importante também olhar para os lugares que ocupavam, na altura do convite, e os que vieram a ocupar a seguir à sua participação.
Há políticos (no governo e na oposição), banqueiros, empresários, gente dos media e até sindicalistas.
Têm em comum o facto de todos estarem associados ao chamado "arco da governação".
E ainda falam da maçonaria? Coitados deles pois são autênticos escuteiros ao pé destes.
1983: Bernardino Gomes, Rogério Martins e José Luiz Gomes. 1984: André Gonçalves Pereira e Rui Vilar. 1985: Torres Couto e Ernâni Lopes. 1986: Leonardo Mathias e Artur S. Silva. 1987: José Eduardo Moniz e Faria de Oliveira. 1988: Vítor Constâncio e Lucas Pires. 1989: Rui Machete e Jorge Sampaio. 1990: João de Deus Pinheiro e António Guterres. 1991: Carlos Monjardino e Carlos Pimenta. 1992: António Barreto e Roberto Carneiro. 1993: Nuno Brederode Santos e Faria de Oliveira. 1994: Durão Barroso e Miguel Veiga. 1995: Mira Amaral e Maria Carrilho. 1996: Margarida Marante e António Vitorino. 1997: António Borges e Galvão Teles. 1998: Vasco Pereira Coutinho, Marcelo Rebelo de Sousa e Miguel Horta e Costa. 1999: Ferreira do Amaral, João Cravinho, Marçal Grilo, Vasco de Mello, Murteira Nabo, Ricardo Salgado, Jorge Sampaio, Artur S. Silva e Nicolau Santos. 2000: Teresa Patrício Gouveia. 2001: Guilherme d'Oliveira Martins e Vasco Graça Moura. 2002: António Borges e Elisa Ferreira. 2003: Durão Barroso e Ferro Rodrigues. 2004: P. Santana Lopes e José Sócrates. 2005: Nuno Morais Sarmento, António Guterres e Durão Barroso. 2006: Aguiar Branco e Augusto Santos Silva. 2007: Leonor Beleza e Durão Barroso (não confirmado). 2008: Rui Rio e António Costa. 2009: Manuela Ferreira Leite e Manuel Pinho. 2010: Paulo Rangel e Teixeira dos Santos. 2011: António Nogueira Leite e Clara Ferreira Alves. 2012: Luís Amado e Jorge Moreira da Silva. 2013: Paulo Portas e António José Seguro. 2014: Paulo Macedo e Inês de Medeiros
Como certamente não vão falar de futebol, moda, férias, ou de banalidades é inaceitável (e ao mesmo tempo demonstrativo do poder e grau de impunidade) que políticos eleitos, ou nomeados, participem em reuniões onde sejam obrigados ao silêncio do que lá se passa!
sábado, 16 de abril de 2016
Está muita coisa estudada sobre a corrupção em Portugal. Agora é haver "vontade política" para avançar
O GRECO (GRupo de Estados contra a COrrupção) foi criado, em 1999, pelo Conselho da Europa para acompanhar o cumprimento das normas anti-corrupção dos seus estados membros.
Num relatório, de 60 páginas, publicado em 10/02/2016 , GRECO faz 15 recomendações a Portugal com medidas tendentes a prevenir a corrupção em relação aos parlamentares, juízes e promotores com o objectivo de reforçar a sua integridade, responsabilidade e as regras de transparência.
No final o relatório diz:
Nos termos do artigo 30.2 do Regulamento de Processo, GRECO convida as autoridades de Portugal a apresentar um relatório sobre as medidas tomadas para implementar o acima mencionado recomendações até 30 de Junho de 2017.
Estas medidas serão avaliadas pelo GRECO através seu procedimento de específico de compliance.
De que estamos à espera?
Num relatório, de 60 páginas, publicado em 10/02/2016 , GRECO faz 15 recomendações a Portugal com medidas tendentes a prevenir a corrupção em relação aos parlamentares, juízes e promotores com o objectivo de reforçar a sua integridade, responsabilidade e as regras de transparência.
No final o relatório diz:
Nos termos do artigo 30.2 do Regulamento de Processo, GRECO convida as autoridades de Portugal a apresentar um relatório sobre as medidas tomadas para implementar o acima mencionado recomendações até 30 de Junho de 2017.
Estas medidas serão avaliadas pelo GRECO através seu procedimento de específico de compliance.
De que estamos à espera?
sexta-feira, 15 de abril de 2016
E se eles se preocupassem com o que é importante?
Fernando Ulrich e Faria de Oliveira estão muito preocupados com o que chamam a "sobreregulamentação que cria enormes problemas nos bancos, sobretudo nos mais pequenos", e com os supervisores, segundo eles, a falharem no sentido da proporcionalidade.
Mas estranhamente, ou talvez não, ficam calados perante a enorme lista de escândalos que, por todo o mundo (e com elevadíssimo impacto financeiro), vão sendo denunciados.
Vejamos então algumas notícias sobre fraudes no sector financeiro que saíram nos jornais:
Swiss Leaks
"um gigantesco esquema de evasão fiscal alegadamente operado com o conhecimento e encorajamento do banco multinacional britânico HSBC através de sua subsidiária suíça, o HSBC Private Bank (Suisse). Os jornalistas revelaram que 180,6 bilhões de euros foram movimentados em contas mantidas no HSBC, em Genebra, por mais de 100.000 clientes e 20.000 empresas offshore, entre novembro de 2006 e março de 2007."
Offshore Leaks
"Um consórcio de jornalistas de investigação de vários países teve acesso a 2,5 milhões de documentos que revelam os nomes dos beneficiários das empresas sedeadas em paraísos fiscais. Era então, em 2013, a maior fuga de informação de sempre do lado oculto do sistema financeiro, que esconde mais de 25 biliões de euros.".
Lux Leaks
"Investigação a acordos entre o Luxemburgo e mais de 300 multinacionais para fugir aos impostos".
Panama Papers
"um escândalo de corrupção que foi descoberto através de 11,5 milhões de documentos."
“Mostra como uma indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto” https://www.dinheirovivo.pt/outras/afinal-o-que-e-o-panama-papers/#sthash.zozpf4YX.dpuf
"Maiores multinacionais americanas têm 1,4 biliões de dólares em paraísos fiscais"
https://www.publico.pt/economia/noticia/maiores-multinacionais-americanas-tem-12-bilioes-de-euros-em-paraisos-fiscais-1729054
"Deutsche Bank condenado a pagar coima recorde de 2,5 mil milhões de dólares e a demitir sete gestores".
"Standard & Poor’s paga 1,5 mil milhões de dólares por “ratings” fraudulentos".
"Rabobank Escândalo da manipulação de taxas Libor tem mais dois acusados".
"Sete grandes bancos mundiais acusados de manipular taxas de câmbio. Os visados são os bancos norte-americanos citigroup e jpmorgan chase, os britânicos barclays e royal bank of scotland, o alemão deutsche bank e os suíços ubs e credit suisse".
"Bruxelas multa bancos em 1712 milhões por manipularem taxas de juro". HSBC é multado em R$ 67,5 milhões por espionar funcionários no Brasil - 12.02.2014
"JPMorgan paga 2,6 mil milhões para resolver processo relativo a Madoff - 08.01.2014".
"Johnson & Johnson paga multa de 1600 milhões para pôr fim a investigações de fraude - 05.11.2013".
"JP Morgan Chase paga multa de 13.000 milhões de dólares por más práticas hipotecárias - 20.10.2013".
"Acordo ultrajante com o HSBC prova que a guerra à droga é uma piada - 11.12.2012".
"O Wachovia Bank faz lavagem para os carteis da droga - 19.12.2012". "Banco HSBC paga multa recorde por lavagem de dinheiro - 11.12.2012".
A Comissão suíça para a Concorrência, Weko, abriu um inquérito a oito bancos por alegada manipulação das taxas de câmbio. Na mira estão o UBS, Crédit Suisse, Zuercher Kantonalbank, Julius Baer, JP Morgan, Citigroup, Barclays e Royal Bank of Scotland.
http://pt.euronews.com/2014/03/31/cambio-suica-investiga-oito-bancos/
JP Morgan, Barclays, Credit Suisse e outras dez instituições de crédito internacionais foram processadas judicialmente por um regulador de crédito norte-americano por manipulação da taxa Libor.
http://www.dinheirovivo.pt/mercados/interior.aspx?content_id=3738837
Barclays alvo de coima de 26 milhões de libras por manipulação das cotações do ouro no Reino Unido em Junho de 2012.
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/barclays_multado_em_26_milhoes_de_libras_por_manipulacao_das_cotacoes_do_ouro.html
Mesas de câmbio de grandes bancos são alvo de investigação
http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303471004579166220863852800.html
Japão investiga os três maiores bancos do país
Escândalo de financiamento de crime organizado está no cerne da investigação
http://www.tvi24.iol.pt/503/economia---negocios/japao-investigacao-crime-organizado/1504545-6379.html
EUA incentivam bancos suíços a colaborar com investigações fiscais
http://www.efe.com/efe/noticias/portugal/economia/eua-incentivam-bancos-sui-colaborar-com-investiga-fiscais/6/62019/2116017
JPMorgan revela investigações sobre manipulação do câmbio
http://www.jornalacidade.com.br/politica/NOT,0,0,896104,JPMorgan+revela+investigacoes+sobre+manipulacao+do+cambio.aspx
VÁRIOS BANCOS ENVOLVIDOS NA INVESTIGAÇÃO DE UM POSSÍVEL GOLPE MUNDIAL!
http://osbastidoresdoplaneta.wordpress.com/2013/10/17/varios-bancos-envolvidos-na-investigacao-de-um-possivel-golpe-mundial/
Vaticano "perplexo" com investigação ao seu banco
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1667915&seccao=Europa
Também será interessante vermos estas duas notícias.
https://www.publico.pt/mundo/noticia/com-os-eua-nao-seria-dificil-darmos-um-salto-na-etica-em-materia-de-impostos-1728219
http://fraudes.no.sapo.pt/fraudes%20financeiras%20e%20comerciais.htm
São crimes, atrás de crimes, todos "negociados" pagando coimas elevadíssimas (do tipo bula na idade média) para evitar as idas a tribunal e as condenações.
No final são sempre "cidadãos acima de qualquer suspeita" porque os políticos corruptos adaptam as leis para os branquearem!
Sem economia paralela, corrupção, nem casos como o BPN, BPP, BES/GES e afins, Portugal não teria dívida pública explosiva e teria um padrão de vida ao nível do da Finlândia.
Quando é que as pessoas, jornalistas incluídos, acordam para exigir o controle e responsabilização efectivos desta gente?
Stop gamanço já!
quarta-feira, 13 de abril de 2016
O crédito malparado em Portugal
O Jornal de Negócios publicou uns gráficos muito esclarecedores (mas com gralhas que precisam de ser rectificadas) sobre a evolução do crédito mal parado, em Portugal, entre Dezembro de 2010 e Janeiro de 2016 inclusive.
Em termos percentuais uma evolução de 3.40% para 8.84% corresponde a um aumento de 2,6 vezes e se virmos, em valor absoluto, um aumento de 4.500 milhões de euros para 18.000 corresponde a um aumento de 4 vezes.Qualquer deles, como se vê, está bastante acima do dobro como o título indica.
Também é interessante vermos que quase 70% do crédito mal parado é das empresas e que desse, cerca de metade, tem a ver coms os sectores da construção e do imobiliário.
Será que não tem nada a ver, com esta realidade, o facto de as grandes construtoras terem sido, durante décadas, accionistas estratégicas dos bancos?
Será que isso não levou a que, esta parceria (construtoras/bancos),pressionasse o poder político a legislar de molde a forçar as pessoas a terem de comprar casas, já que nada foi feito para incentivar o mercado de arrendamento, levando-as a contrair empréstimos a 30, 35, 40 e até 50 anos (que representam quase 90% do do total dos empréstimos dos particulares) fazendo com isso que os bancos(e seus accionistas) ganhassem biliões nestas décadas?
Foi esta captura de riqueza, em investimentos não produtivos, que colocou o país neste estado.
Os portugueses não viveram acima das suas possibilidades.
Os portugueses foram, isso sim, empurrados para becos sem saída, por gente gananciosa que os empurrou e agora, ainda por cima, os faz pagar quando foram as vítimas.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Para onde vão os portugueses qualificados? Será que querem voltar?
O Expressoemprego publicou um estudo onde, a dada altura, se afirma
"Os portugueses que emigraram segundo a “radiografia” nacional realiza pela Hays à emigração Portuguesa, a maioria dos profissionais qualificados que nos últimos cinco anos rumaram aos estrangeiro foram homens (74%), com idades compreendidas entre os 31 e os 50 anos, e formação nas áreas da Contabilidade e Finanças (21%), Engenharia (12%), Indústria e Produção (10%) e Tecnologias de Informação (9%)."
Portugal foi sangrado de conhecimento nas áreas mais importantes, para a economia, e nada fez para inverter essa situação.
O estudo diz ainda que
"A maioria dos profissionais saiu de Portugal há mais de três e menos de cinco e 82% manifestam, segundo o estudo, vontade de regressar."
Indica também oTop 20 de países preferidos para emigrar
Reino Unido - 60%
Espanha - 49%
Estados Unidos da América - 36%
Suíça - 35%
Alemanha - 30%
Holanda - 29%
Dinamarca - 27%
França - 27%
Suécia - 26%
Austrália - 25%
Brasil - 25%
Itália - 25%
Noruega - 24%
Canadá - 22%
Irlanda - 22%
Luxemburgo - 22%
Bélgica - 19%
Finlândia - 16%
Nova Zelândia - 16%
Emirados Árabes Unidos - 15%
O artigo refere ainda que:
“o facto destes profissionais trabalharem em áreas com uma boa dinâmica de criação de emprego em Portugal, como a das Tecnologias de Informação ou a Engenharia, coloca algumas questões sobre a nossa capacidade nacional de atrair, reconhecer e premiar talento em funções tão procuradas e necessárias no actual mercado de trabalho português”
Não fará sentido iniciativas, e estudos, como estes serem discutidos na concertação social para que, de uma vez por todas, se acabe com as políticas de baixos salários?
Fontes:
Guia do Mercado Laboral Hays 2016
http://portugalarecrutar.expressoemprego.pt/artigo/para-onde-vao-os-portugueses-qualificados/4043
"Os portugueses que emigraram segundo a “radiografia” nacional realiza pela Hays à emigração Portuguesa, a maioria dos profissionais qualificados que nos últimos cinco anos rumaram aos estrangeiro foram homens (74%), com idades compreendidas entre os 31 e os 50 anos, e formação nas áreas da Contabilidade e Finanças (21%), Engenharia (12%), Indústria e Produção (10%) e Tecnologias de Informação (9%)."
Portugal foi sangrado de conhecimento nas áreas mais importantes, para a economia, e nada fez para inverter essa situação.
O estudo diz ainda que
"A maioria dos profissionais saiu de Portugal há mais de três e menos de cinco e 82% manifestam, segundo o estudo, vontade de regressar."
Indica também oTop 20 de países preferidos para emigrar
Reino Unido - 60%
Espanha - 49%
Estados Unidos da América - 36%
Suíça - 35%
Alemanha - 30%
Holanda - 29%
Dinamarca - 27%
França - 27%
Suécia - 26%
Austrália - 25%
Brasil - 25%
Itália - 25%
Noruega - 24%
Canadá - 22%
Irlanda - 22%
Luxemburgo - 22%
Bélgica - 19%
Finlândia - 16%
Nova Zelândia - 16%
Emirados Árabes Unidos - 15%
O artigo refere ainda que:
“o facto destes profissionais trabalharem em áreas com uma boa dinâmica de criação de emprego em Portugal, como a das Tecnologias de Informação ou a Engenharia, coloca algumas questões sobre a nossa capacidade nacional de atrair, reconhecer e premiar talento em funções tão procuradas e necessárias no actual mercado de trabalho português”
Não fará sentido iniciativas, e estudos, como estes serem discutidos na concertação social para que, de uma vez por todas, se acabe com as políticas de baixos salários?
Fontes:
Guia do Mercado Laboral Hays 2016
http://portugalarecrutar.expressoemprego.pt/artigo/para-onde-vao-os-portugueses-qualificados/4043
segunda-feira, 4 de abril de 2016
ICIJ denuncia esquemas de crime e corrupção no mundo inteiro
O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (International Consortium of Investigative Journalists, ICIJ) é uma organização, sem fins lucrativos, composta por uma rede de mais de 190 jornalistas que, em mais de 65 países, colaboram, entre si, em jornalismo de investigação.
Foram eles os responsáveis, no final de 2014, pela denuncia do LUX LEAKS um esquema montado entre o governo do Luxemburgo e 340 multinacionais que representaram uma fuga ao fisco, de muitos milhares de milhões de euros, em muitos países.
Denunciam agora, como o Expresso informa , esquemas de crime e corrupção no mundo inteiro.
"Milhões de documentos mostram como chefes de Estado, criminosos e celebridades usam paraísos fiscais para esconder dinheiro e património."
Uma fuga enorme de documentos (11,5 milhões de ficheiros) expõe companhias offshore ligadas a doze, antigos e atuais, líderes mundiais, e revela como pessoas próximas do presidente russo Vladimir Putin desviaram dois mil milhões de dólares através de bancos e empresas fantasma.
O acervo mostra como uma indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto.
Os ficheiros relevam a existência de empresas offshore controladas pelos primeiros-ministros da Islândia e do Paquistão, o rei da Arábia Saudita e os filhos do presidente do Azerbeijão.
Incluem também pelo menos 33 pessoas e empresas que constam numa lista negra da administração norte-americana por se envolverem em negócios com os patrões da droga mexicanos, organizações terroristas como o Hezbollah ou países como a Coreia do Norte e o Irão.
Mencionam empresas offshore ligadas à família do presidente da China, Xi Jinping, do presidente ucraniano Petro Poroshenko, do pai do primeiro-ministro britânico David Cameron, do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson e a a sua mulher, um homem, condenado por lavagem de dinheiro, que afirma ter realizado uma campanha de fundos ilegal que juntou 50 mil dólares usados para pagar aos assaltantes de Watergate; 29 multimilionários da lista da “Forbes”, o actor Jackie Chan, o antigo vice-presidente da FIFA Eugenio Figueredo, bem como Hugo e Mariano Jinkis, a equipa pai-filho acusada de pagar subornos para ganhar os direitos de transmissão de eventos futebolísticos na América Latina, o futebolista Lionel Messi e muitos outros.
Os documentos também tornam claro que os grandes bancos estão por detrás da criação de companhias fantasma difíceis de detetar nas Ilhas Virgens britânicas, no Panamá e outros paraísos fiscais. Os ficheiros listam mais de 15.600 empresas fictícias que os bancos criaram para clientes que querem manter escondidas as suas finanças, incluindo algumas milhares de companhias criadas pelos gigantes internacionais UBS e HSBC."
Denúncias como estas são vitais para que se ganhe consciência de que é urgente exigir dos políticos mais transparência nos negócios públicos, medidas anti fraude eficazes e o fim desta internacional criminosa que arruína o mundo!
Apoiem o ICIJ e todos aqueles que denunciem estas práticas!
Ou alguém ainda duvida que é preciso controlar a ganância desmedida desta gente?
Foram eles os responsáveis, no final de 2014, pela denuncia do LUX LEAKS um esquema montado entre o governo do Luxemburgo e 340 multinacionais que representaram uma fuga ao fisco, de muitos milhares de milhões de euros, em muitos países.
Denunciam agora, como o Expresso informa , esquemas de crime e corrupção no mundo inteiro.
"Milhões de documentos mostram como chefes de Estado, criminosos e celebridades usam paraísos fiscais para esconder dinheiro e património."
Uma fuga enorme de documentos (11,5 milhões de ficheiros) expõe companhias offshore ligadas a doze, antigos e atuais, líderes mundiais, e revela como pessoas próximas do presidente russo Vladimir Putin desviaram dois mil milhões de dólares através de bancos e empresas fantasma.
O acervo mostra como uma indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto.
Os ficheiros relevam a existência de empresas offshore controladas pelos primeiros-ministros da Islândia e do Paquistão, o rei da Arábia Saudita e os filhos do presidente do Azerbeijão.
Incluem também pelo menos 33 pessoas e empresas que constam numa lista negra da administração norte-americana por se envolverem em negócios com os patrões da droga mexicanos, organizações terroristas como o Hezbollah ou países como a Coreia do Norte e o Irão.
Mencionam empresas offshore ligadas à família do presidente da China, Xi Jinping, do presidente ucraniano Petro Poroshenko, do pai do primeiro-ministro britânico David Cameron, do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson e a a sua mulher, um homem, condenado por lavagem de dinheiro, que afirma ter realizado uma campanha de fundos ilegal que juntou 50 mil dólares usados para pagar aos assaltantes de Watergate; 29 multimilionários da lista da “Forbes”, o actor Jackie Chan, o antigo vice-presidente da FIFA Eugenio Figueredo, bem como Hugo e Mariano Jinkis, a equipa pai-filho acusada de pagar subornos para ganhar os direitos de transmissão de eventos futebolísticos na América Latina, o futebolista Lionel Messi e muitos outros.
Os documentos também tornam claro que os grandes bancos estão por detrás da criação de companhias fantasma difíceis de detetar nas Ilhas Virgens britânicas, no Panamá e outros paraísos fiscais. Os ficheiros listam mais de 15.600 empresas fictícias que os bancos criaram para clientes que querem manter escondidas as suas finanças, incluindo algumas milhares de companhias criadas pelos gigantes internacionais UBS e HSBC."
Denúncias como estas são vitais para que se ganhe consciência de que é urgente exigir dos políticos mais transparência nos negócios públicos, medidas anti fraude eficazes e o fim desta internacional criminosa que arruína o mundo!
Apoiem o ICIJ e todos aqueles que denunciem estas práticas!
Ou alguém ainda duvida que é preciso controlar a ganância desmedida desta gente?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Eles comem tudo e não deixam nada!
Vem no Jornal I de ontem que as dívidas ao fisco
ultrapassaram 6,5 mil milhões em 2015.
Se também se juntarmos os apoios públicos ao sector financeiro “O Estado gastou em apoios públicos ao setor financeiro 11.822 milhões de euros entre 2008 e 2014, tendo o ES/Novo Banco representado 40% dos gastos com a banca, de acordo a Conta Geral do Estado de 2014.”
http://www.rtp.pt/noticias/economia/estado-gasta-quase-12-mil-milhoes-de-euros-com-setor-financeiro-entre-2008-e-2014_n883268
Mas atenção que aqui ainda não entra a última bronca do Banif “Fatura com o Banif é, para já, de 2,6 mil milhões de euros, mas este valor pode chegar a 3,8 mil milhões.”
http://observador.pt/2015/12/22/fatura-banif-26-mil-milhoes-ja/
E a cereja no topo deste venenoso bolo é o facto de a economia paralela, em Portugal, representar 26,81% do PIB oficial correspondendo a 45.901 milhões de euros em 2013.
http://www.publico.pt/economia/noticia/a-economia-paralela-em-portugal-1694348
É com esta realidade, criminosa e sufocante para a generalidade das pessoas, que é preciso acabar.
Estranhamente ninguém fala
das dívidas à Segurança Social e até o Ministério de Mota Soares assume que não
cumpre a lei da publicação da lista desde Agosto de 2013, justificando com
“dificuldades de actualização” dos devedores.
http://economico.sapo.pt/noticias/governo-deixa-cair-lista-de-devedores-a-seguranca-social_221115.html
E agora se a isto
juntarmos o facto de o estado ter atribuído, entre 2010 e 2014 (5 anos), 68.959
benefícios fiscais que totalizaram 5.560.615.347,63 € e que deste enorme bolo (que saiu dos nossos bolsos) 559 desses benefícios (0,811% do total) totalizavam 3.799.509.319,14 € (68,329% do total do dinheiro) pois todos eram superiores a 1 milhão de euros.
http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/dgci/divulgacao/estatisticas/Estatisticas+-+contribuintes+com+benef%C3%ADcios+fiscais.htm
benefícios fiscais que totalizaram 5.560.615.347,63 € e que deste enorme bolo (que saiu dos nossos bolsos) 559 desses benefícios (0,811% do total) totalizavam 3.799.509.319,14 € (68,329% do total do dinheiro) pois todos eram superiores a 1 milhão de euros.
http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/dgci/divulgacao/estatisticas/Estatisticas+-+contribuintes+com+benef%C3%ADcios+fiscais.htm
Se também se juntarmos os apoios públicos ao sector financeiro “O Estado gastou em apoios públicos ao setor financeiro 11.822 milhões de euros entre 2008 e 2014, tendo o ES/Novo Banco representado 40% dos gastos com a banca, de acordo a Conta Geral do Estado de 2014.”
http://www.rtp.pt/noticias/economia/estado-gasta-quase-12-mil-milhoes-de-euros-com-setor-financeiro-entre-2008-e-2014_n883268
Mas atenção que aqui ainda não entra a última bronca do Banif “Fatura com o Banif é, para já, de 2,6 mil milhões de euros, mas este valor pode chegar a 3,8 mil milhões.”
http://observador.pt/2015/12/22/fatura-banif-26-mil-milhoes-ja/
E a cereja no topo deste venenoso bolo é o facto de a economia paralela, em Portugal, representar 26,81% do PIB oficial correspondendo a 45.901 milhões de euros em 2013.
http://www.publico.pt/economia/noticia/a-economia-paralela-em-portugal-1694348
É com esta realidade, criminosa e sufocante para a generalidade das pessoas, que é preciso acabar.
Isto não é por desconhecimento pois, como se vê nos links, a informação é pública.
O problema é que muitos governantes, e deputados, estão ao serviço destes abutres.
Os tais que diziam que "vivemos acima das nossas possibilidades" ou “que não há dinheiro e é preciso reduzir os apoios sociais” e nada fizeram para destruir este cancro da corrupção e compadrio.
O problema é que muitos governantes, e deputados, estão ao serviço destes abutres.
Os tais que diziam que "vivemos acima das nossas possibilidades" ou “que não há dinheiro e é preciso reduzir os apoios sociais” e nada fizeram para destruir este cancro da corrupção e compadrio.
Esta gente, e os que sempre os apoiaram (como Marcelo Rebelo de Sousa) tem que ser afastada para que o país possa crescer de um modo saudável.
domingo, 3 de janeiro de 2016
É preciso acabar com a impunidade e exigir mais controlo dos vigaristas!
Decididamente já cansa ouvir falar, políticos, reguladores e alguns comentadores, da necessidade de controlar o cancro da corrupção e do compadrio em Portugal, e no mundo, sem quase nada fazerem!
Existem já muitas denúncias públicas deste tipo de escândalos que as pessoas têm que conhecer.
Eis alguns exemplos recentes:
Programas na SIC Notícias - Negócios da Semana Edições de:
09/12/2015 onde José Gomes Ferreira entrevista José Azevedo Pereira, Consultor e Professor do ISEG. Temas: Aumento dos Impostos;Informatização da administração fiscal; E-faturas; Os casos de prepotência do Fisco sobre os pequenos e os que não podem escapar continuam a marcar a actualidade; Algumas corporações e interesses mais poderosos conseguem sempre algum tipo de benefício ou de isenção. A fuga de capitais para o exterior para escapar aos impostos e apagar o rasto de corrupção.
30/12/2015 onde o mesmo apresentador está em debate com: Cristina Ferreira, Jornalista do Jornal Público; Isabel Vicente, Jornalista do Jornal Expresso; João Duque, Economista/Professor do ISEG e Gustavo Sampaio, Jornalista/Escritor. Tema: A banca portuguesa: o Banif que exige aos contribuintes um esforço de 2.400 milhões de euros; a perda quase total de dois mil milhões de euros em divida sénior que estava no Novo Banco e foi devolvida ao BES; a necessidade de reforço de capital da Caixa Geral de Depósitos, com despedimentos prováveis e a pressão da Comissão Europeia para o Banco do Estado regressar aos lucros e o Montepio parece estabilizado, mas a situação da associação mutualista ainda levanta dúvidas.
Mas também existem bons exemplos em jornais online como:
2015 um ano limpinho, limpinho de Aurora A. C. Teixeira, Visão online.
Crime económico desvia 50.000 milhões por ano de Alexandre Panda do JN.
A importância da transparência: Partidos políticos, legislação e o ‘rating’ da nação de Glória Teixeira, Visão online.
Será que as pessoas já pensaram que todos viveríamos bem melhor se a realidade fosse outra?
É fundamental colocar estas questões aos candidatos e reforçar estas denúncias publicas para que as coisas se alterem.
Sem assa tomada de consciência e repúdio firme do crime (seja o criminoso de que partido, ou associação, for) a impunidade desta gente só aumentará.
Está nas nossas mãos travá-los!
Existem já muitas denúncias públicas deste tipo de escândalos que as pessoas têm que conhecer.
Eis alguns exemplos recentes:
Programas na SIC Notícias - Negócios da Semana Edições de:
09/12/2015 onde José Gomes Ferreira entrevista José Azevedo Pereira, Consultor e Professor do ISEG. Temas: Aumento dos Impostos;Informatização da administração fiscal; E-faturas; Os casos de prepotência do Fisco sobre os pequenos e os que não podem escapar continuam a marcar a actualidade; Algumas corporações e interesses mais poderosos conseguem sempre algum tipo de benefício ou de isenção. A fuga de capitais para o exterior para escapar aos impostos e apagar o rasto de corrupção.
30/12/2015 onde o mesmo apresentador está em debate com: Cristina Ferreira, Jornalista do Jornal Público; Isabel Vicente, Jornalista do Jornal Expresso; João Duque, Economista/Professor do ISEG e Gustavo Sampaio, Jornalista/Escritor. Tema: A banca portuguesa: o Banif que exige aos contribuintes um esforço de 2.400 milhões de euros; a perda quase total de dois mil milhões de euros em divida sénior que estava no Novo Banco e foi devolvida ao BES; a necessidade de reforço de capital da Caixa Geral de Depósitos, com despedimentos prováveis e a pressão da Comissão Europeia para o Banco do Estado regressar aos lucros e o Montepio parece estabilizado, mas a situação da associação mutualista ainda levanta dúvidas.
Mas também existem bons exemplos em jornais online como:
2015 um ano limpinho, limpinho de Aurora A. C. Teixeira, Visão online.
Crime económico desvia 50.000 milhões por ano de Alexandre Panda do JN.
A importância da transparência: Partidos políticos, legislação e o ‘rating’ da nação de Glória Teixeira, Visão online.
Será que as pessoas já pensaram que todos viveríamos bem melhor se a realidade fosse outra?
É fundamental colocar estas questões aos candidatos e reforçar estas denúncias publicas para que as coisas se alterem.
Sem assa tomada de consciência e repúdio firme do crime (seja o criminoso de que partido, ou associação, for) a impunidade desta gente só aumentará.
Está nas nossas mãos travá-los!
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Será que Portugal está a acordar?
Ou será que os escândalos financeiros e de corrupção são tantos, e de montantes tão elevados, que já não se conseguem esconder?
Mas seja por que motivo for a sua divulgação, em artigos de opinião, nos media de centro direita já é uma lufada de ar fresco para a nossa vida colectiva.
Talvez assim as pessoas se comecem a indignar, pública e fortemente, contra aqueles que, por interesses ocultos, incompetência ou opção política, deixaram que o estado fosse capturado por estes bandidos.
Dois bons exemplos do que acabei de afirmar são:
Uma entrevista na SIC Notícias onde se conclui que Portugal tem quase 1.000 contribuintes de alto rendimento (agregados com Património acima 25 milhões de euros ou rendimento anual superior a 5 milhões de euros) que o fisco quase não controla.
também se fica a saber que nos países desenvolvidos este segmento é responsável por 25% da receita global do IRS desses países mas que, em Portugal (PASME-SE), essa percentagem é de apenas 0,5% o que é um verdadeiro escândalo.
Outro bom exemplo é o seguinte artigo de hoje (28/12/2015) do Director-Adjunto do Expresso Nicolau Santos com o título "Os Emídios Catuns que nos pregaram um calote de 6,3 mil milhões e andam à solta" e que passo a transcrever um excerto:
"Bom dia.
Desculpem, mas não há peru, rabanadas e lampreias de ovos que me façam passar o engulho da fatura que neste final do ano veio parar outra vez aos bolsos dos contribuintes por mais um banco que entrega a alma ao criador, no caso o Banif, no caso mais 3 mil milhões. É de mais, é inaceitável, é uma ignomínia para todos os que estão desempregados ou caíram no limiar da pobreza por causa desta crise e mais uma violência brutal para os que continuam a pagar impostos (e que são apenas cerca de 50% de todos os contribuintes).
Todos nos lembramos do cortejo dos cinco maiores banqueiros portugueses (Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Nuno Amado, Faria de Oliveira e Carlos Santos Ferreira) a irem ao Ministério das Finanças e depois à TVI exigir ao então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para pedir ajuda internacional. Todos nos lembramos como o santo e a senha da altura era o da insustentável dívida pública portuguesa por erros de gestão do Governo de José Sócrates. Todos nos lembramos das sucessivas reafirmações de que a banca estava sólida por parte do Banco de Portugal e do governador Carlos Costa. Todos nos lembramos dos testes de stress aos bancos conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia – e como os bancos nacionais passaram sempre esses testes. E depois disso BPI, BCP, CGD e Banif tiveram de recorrer à linha de crédito de 12 mil milhões acordada com a troika. E depois disso o BES implodiu – e agora o Banif também. E depois disso só o BPI pagou até agora tudo o que lhe foi emprestado. E antes disso já o BPN e o BPP tinham implodido. E a Caixa vai ter de fazer um aumento de capital. E o Montepio é uma preocupação. É de mais! Chega! Basta!
No caso do Banif, é claro que o governador Carlos Costa tem enormes responsabilidades na forma como o problema acabou por ter de ser resolvido. No caso do BES foi ele também que seguiu a estratégia da resolução, da criação do Novo Banco e do falhanço total dessa estratégia – a venda rápida que não aconteceu, a venda sem despedimentos que também não vai acontecer, os 17 interessados que afinal eram só três, as propostas que não serviam, e o banco que era para ser vendido inteiro e agora vai ser vendido após uma severa cura de emagrecimento. É claro também que a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, tem responsabilidades diretas no caso, por inação ou omissão. E é claro que o ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, geriu politicamente o dossiê.
Mas não confundamos os políticos e o polícia com os bandidos, com os que levaram a banca portuguesa ao tapete. E para isso nada melhor do que ler o excelente texto que o Pedro Santos Guerreiro e a Isabel Vicente escreveram na revista do Expresso da semana passada com um título no limite mas que é um grito de alma: «O diabo que nos impariu» - ou como os bancos nacionais destruíram 40 mil milhões desde 2008. Aí se prova que houve seguramente muitos problemas, mas que a origem de tudo está no verdadeiro conúbio lunar que se viveu entre a banca e algumas empresas e alguns empresários do setor da construção. Perguntam os meus colegas: «Sabe quem é Emídio Catum? É um desses empresários da construção, que estava na lista de créditos do BES com empresas que, entretanto, faliram. Curiosamente, Catum estava também na lista dos maiores devedores ao BPN, com empresas de construção e imobiliário que também faliram». E como atuava Catum? «O padrão é o mesmo: empresas pedem crédito, não o pagam, vão à falência, têm administradores judiciais, não pagam nem têm mais ativos para pagar, o prejuízo fica no banco, o banco é intervencionado, o prejuízo passa para o Estado». Simples, não é, caro leitor?
A pergunta que se segue é: e o tal de Catum está preso? Não, claro que não. E assim, de Catum em Catum, ficámos nós que pagamos impostos com uma enorme dívida para pagar que um dia destes vai levar o Governo a aumentar de novo os impostos ou a cortar salários ou a baixar prestações sociais. Mas se fosse só o Catum… infelizmente, não. Até as empresas de Luís Filipe Vieira deixaram uma dívida de 17 milhões do BPN à Parvalorem, do Estado, e tinham ainda por pagar 600 milhões de crédito do BES. O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, Duarte Lima, deixou perdas tanto no Novo Banco como no BPN Arlindo Carvalho, ex-ministro cavaquista, também está acusado por ilícitos relacionados com crédito concedido pelo BPN para compra de terrenos. E um dos homens fortes do cavaquismo, Dias Loureiro é arguido desde 2009 por compras de empresas em Porto Rico e Marrocos, suspeita de crimes fiscais e burlas. Mas seis anos depois, o Ministério Público ainda não acusou Dias Loureiro, nem o processo foi arquivado.
Dos 50 maiores devedores do BES, que acumulavam um crédito total de dez mil milhões de euros, «o peso de construtores e promotores imobiliários é avassalador». No BPN, «mais de 500 clientes com dívidas iguais ou superiores a meio milhão de euros deixaram de pagar». E a fatura a vir parar sempre aos bolsos dos mesmos. Por isso, o artigo de Pedro Santos Guerreiro e Isabel Vicente é imperdível. Para ao menos sabermos que o que aconteceu não foi por acaso. Que muita gente não pagou o que devia ou meteu dinheiro ao bolso – e esperou calmamente que o Estado viesse socializar os prejuízos enquanto eles privatizaram os lucros."
Estamos a três semanas das eleições presidenciais e os candidatos, sobretudo Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém (os candidatos do centrão que nos governou nos últimos 40 anos) têm que responder, de modo inequívoco, como pensam atacar este cancro da nossa sociedade.
As pessoas, e os media, têm o dever cívico e ético de o fazer para o bem da nossa democracia!
Mas seja por que motivo for a sua divulgação, em artigos de opinião, nos media de centro direita já é uma lufada de ar fresco para a nossa vida colectiva.
Talvez assim as pessoas se comecem a indignar, pública e fortemente, contra aqueles que, por interesses ocultos, incompetência ou opção política, deixaram que o estado fosse capturado por estes bandidos.
Dois bons exemplos do que acabei de afirmar são:
Uma entrevista na SIC Notícias onde se conclui que Portugal tem quase 1.000 contribuintes de alto rendimento (agregados com Património acima 25 milhões de euros ou rendimento anual superior a 5 milhões de euros) que o fisco quase não controla.
também se fica a saber que nos países desenvolvidos este segmento é responsável por 25% da receita global do IRS desses países mas que, em Portugal (PASME-SE), essa percentagem é de apenas 0,5% o que é um verdadeiro escândalo.
Outro bom exemplo é o seguinte artigo de hoje (28/12/2015) do Director-Adjunto do Expresso Nicolau Santos com o título "Os Emídios Catuns que nos pregaram um calote de 6,3 mil milhões e andam à solta" e que passo a transcrever um excerto:
"Bom dia.
Desculpem, mas não há peru, rabanadas e lampreias de ovos que me façam passar o engulho da fatura que neste final do ano veio parar outra vez aos bolsos dos contribuintes por mais um banco que entrega a alma ao criador, no caso o Banif, no caso mais 3 mil milhões. É de mais, é inaceitável, é uma ignomínia para todos os que estão desempregados ou caíram no limiar da pobreza por causa desta crise e mais uma violência brutal para os que continuam a pagar impostos (e que são apenas cerca de 50% de todos os contribuintes).
Todos nos lembramos do cortejo dos cinco maiores banqueiros portugueses (Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Nuno Amado, Faria de Oliveira e Carlos Santos Ferreira) a irem ao Ministério das Finanças e depois à TVI exigir ao então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para pedir ajuda internacional. Todos nos lembramos como o santo e a senha da altura era o da insustentável dívida pública portuguesa por erros de gestão do Governo de José Sócrates. Todos nos lembramos das sucessivas reafirmações de que a banca estava sólida por parte do Banco de Portugal e do governador Carlos Costa. Todos nos lembramos dos testes de stress aos bancos conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia – e como os bancos nacionais passaram sempre esses testes. E depois disso BPI, BCP, CGD e Banif tiveram de recorrer à linha de crédito de 12 mil milhões acordada com a troika. E depois disso o BES implodiu – e agora o Banif também. E depois disso só o BPI pagou até agora tudo o que lhe foi emprestado. E antes disso já o BPN e o BPP tinham implodido. E a Caixa vai ter de fazer um aumento de capital. E o Montepio é uma preocupação. É de mais! Chega! Basta!
No caso do Banif, é claro que o governador Carlos Costa tem enormes responsabilidades na forma como o problema acabou por ter de ser resolvido. No caso do BES foi ele também que seguiu a estratégia da resolução, da criação do Novo Banco e do falhanço total dessa estratégia – a venda rápida que não aconteceu, a venda sem despedimentos que também não vai acontecer, os 17 interessados que afinal eram só três, as propostas que não serviam, e o banco que era para ser vendido inteiro e agora vai ser vendido após uma severa cura de emagrecimento. É claro também que a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, tem responsabilidades diretas no caso, por inação ou omissão. E é claro que o ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, geriu politicamente o dossiê.
Mas não confundamos os políticos e o polícia com os bandidos, com os que levaram a banca portuguesa ao tapete. E para isso nada melhor do que ler o excelente texto que o Pedro Santos Guerreiro e a Isabel Vicente escreveram na revista do Expresso da semana passada com um título no limite mas que é um grito de alma: «O diabo que nos impariu» - ou como os bancos nacionais destruíram 40 mil milhões desde 2008. Aí se prova que houve seguramente muitos problemas, mas que a origem de tudo está no verdadeiro conúbio lunar que se viveu entre a banca e algumas empresas e alguns empresários do setor da construção. Perguntam os meus colegas: «Sabe quem é Emídio Catum? É um desses empresários da construção, que estava na lista de créditos do BES com empresas que, entretanto, faliram. Curiosamente, Catum estava também na lista dos maiores devedores ao BPN, com empresas de construção e imobiliário que também faliram». E como atuava Catum? «O padrão é o mesmo: empresas pedem crédito, não o pagam, vão à falência, têm administradores judiciais, não pagam nem têm mais ativos para pagar, o prejuízo fica no banco, o banco é intervencionado, o prejuízo passa para o Estado». Simples, não é, caro leitor?
A pergunta que se segue é: e o tal de Catum está preso? Não, claro que não. E assim, de Catum em Catum, ficámos nós que pagamos impostos com uma enorme dívida para pagar que um dia destes vai levar o Governo a aumentar de novo os impostos ou a cortar salários ou a baixar prestações sociais. Mas se fosse só o Catum… infelizmente, não. Até as empresas de Luís Filipe Vieira deixaram uma dívida de 17 milhões do BPN à Parvalorem, do Estado, e tinham ainda por pagar 600 milhões de crédito do BES. O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, Duarte Lima, deixou perdas tanto no Novo Banco como no BPN Arlindo Carvalho, ex-ministro cavaquista, também está acusado por ilícitos relacionados com crédito concedido pelo BPN para compra de terrenos. E um dos homens fortes do cavaquismo, Dias Loureiro é arguido desde 2009 por compras de empresas em Porto Rico e Marrocos, suspeita de crimes fiscais e burlas. Mas seis anos depois, o Ministério Público ainda não acusou Dias Loureiro, nem o processo foi arquivado.
Dos 50 maiores devedores do BES, que acumulavam um crédito total de dez mil milhões de euros, «o peso de construtores e promotores imobiliários é avassalador». No BPN, «mais de 500 clientes com dívidas iguais ou superiores a meio milhão de euros deixaram de pagar». E a fatura a vir parar sempre aos bolsos dos mesmos. Por isso, o artigo de Pedro Santos Guerreiro e Isabel Vicente é imperdível. Para ao menos sabermos que o que aconteceu não foi por acaso. Que muita gente não pagou o que devia ou meteu dinheiro ao bolso – e esperou calmamente que o Estado viesse socializar os prejuízos enquanto eles privatizaram os lucros."
Estamos a três semanas das eleições presidenciais e os candidatos, sobretudo Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém (os candidatos do centrão que nos governou nos últimos 40 anos) têm que responder, de modo inequívoco, como pensam atacar este cancro da nossa sociedade.
As pessoas, e os media, têm o dever cívico e ético de o fazer para o bem da nossa democracia!
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